Guardar o fogo para dias de pouca luz

por Maria Oliveira

Recenção crítica

O projeto fotográfico “Guardar o fogo para dias de pouca luz” de Maria Oliveira é um trabalho que, pela forma como explora os aspetos estéticos e expressivos da imagem, introduzem um “outro espaço” entre o que é a representação realista do objeto (o seu valor de índice) e a representação de subjetividade da autora.

O trabalho de Maria Oliveira aproxima-se deste modo de uma certa fotografia documental contemporânea, mas que ainda mantêm uma ligação considerável às correntes modernistas de meados do século XX e interpela-nos de forma significativa a vários níveis. Pela mestria e poesia com que trabalha a luz e a palete monocromática a autora revela o seu domínio técnico e como foi influenciada pelos modernos que trabalhavam os aspetos técnicos da linguagem fotográfica como expressão plástica: a fotografia como um signo capaz de dar resposta a diversos discursos e propósitos. Por outro lado, possui características que o aproximam da fotografia contemporânea que explora com uma maior liberdade, não só os aspetos conceptuais - a ideia como atributo mais importante da imagem - como também os aspetos estéticos, ambos mais libertos da obrigação da representação realista do objeto. Atentem assim para a importância da ideia nuclear do projeto de Maria Oliveira que explora a analogia entre “guardar o fogo” e o “arquétipo de mãe” e observem também, por exemplo,  como nas fotografias 1,2 e 10 estas trazem uma sensação de estranheza ao espectador devido à composição das imagens e da forma como os elementos e corpos são retratados que introduzem uma fratura na lógica de reconhecimento tradicional dos lugares relacionais. Por outro lado, a construção das imagens nas fotografias 15 e 17 também denotam um “outro olhar” mais contemporâneo porque são composições que fazem com que a pessoa seja simultaneamente percecionada como uma extensão e como um elemento exterior à paisagem.

Maria Oliveira é uma autora que já participou em diversas residências artísticas, tem exposições individuais e coletivas e possui no seu curriculum já diversos prémios, estando representada na coleção do MAR-Museu de Arte do Rio.

Pedro Leão Neto

Fevereiro de 2018

 

Resumo

O projecto centra-se no arquétipo de mãe. Partindo da minha referência mais próxima, exploro gestos, posturas e características comuns a um tempo e lugar. Guardar o fogo para dias de pouca luz compreende também o conceito de mãe como elemento, mãe-terra e mãe-natureza.

Biografia

Nasceu em Ponte de Lima (1982) e reside, actualmente, no Porto.  Entre 2016 e 2017 foi artista residente da Ci.clo - Plataforma de Fotografia, onde desenvolveu o projecto ‘Guardar o fogo para dias de pouca luz’, que integrou a exposição coletiva itinerante, patente em vários locais em Portugal e no estrangeiro. Em 2017, expôs no Colégio das Artes, em Coimbra, o trabalho ‘Sedimento’ e participou na exposição Atlántica Colectivas do Festival Fotonoviembre, em Tenerife. O projecto ‘sob vigia dos animais antigos’ foi exposto no FotoRio (Rio de Janeiro), Festival Outono Fotográfico (Ourense), Galeria More Than A Gallery (Paris). Participou nas publicações A Process, Der Greif Magazine (Alemanha), Cadernos de Imagens, Cineclube de Guimarães e Revista Golpe D’Asa e em diversas plataformas online. Foi selecionada para a Leitura de Portfolios da PhotoEspaña (PHE) em 2016, vencedora do Festival Audiovisual Black & White, em 2015 e 2007 e do Concurso Portugalidades, em 2012.  Integra a colecção do MAR-Museu de Arte do Rio.

mariaoliveira.fotografia@gmail.com

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